Os fenómenos de instabilidade das arribas litorais, constituem importante fonte de perigosidade ou risco para a ocupação e atividades humanas localizadas na vizinhança imediata das arribas. Neste contexto, o conhecimento da frequência, tipologia e dimensões características dos movimentos de massa de vertente que ocorrem nas arribas é de extrema importância na previsão ao nível dos condicionamentos ao uso da faixa costeira, os quais devem ser definidos de forma a minimizar a probabilidade de ocorrência de acidentes e consequentes perdas humanas e materiais, bem como garantir a preservação paisagística do litoral.
A ARH do Tejo, I.P. tem vindo a proceder ao registo/inventário sistemático da ocorrência de movimentos de massa de vertente ao longo da sua área de jurisdição – Mafra, o qual é efetuado após a sua deteção no terreno por estes Serviços ou na sequência de comunicação da Autoridade Marítima, Autarquia, entidades privada ou utentes. No terreno, procede-se à análise e registo das características dimensionais, geométricas e morfológicas do movimento, bem como à caracterização da sua tipologia e identificação dos mecanismos de erosão/instabilidade e fatores desencadeantes.
De forma a aumentar a eficácia da rede de observação e monitorização no litoral, será fundamental que este Instituto seja informado sobre a ocorrência de qualquer tipo de movimentos de massa (desmoronamentos, escorregamentos, queda de blocos) ocorridos no litoral, independentemente da sua dimensão, no sentido de se proceder ao seu registo e avaliação local por parte dos Serviços. É de importância fundamental a divulgação de tal procedimento junto de todos os agentes que frequentemente se deslocam à orla costeira no âmbito das suas atribuições, aumentando significativamente a capacidade da rede de monitorização e observação que se pretende implementar.
De facto, no caso das arribas, o registo continuo e sistemático dos movimentos de massa de vertente e respetivo aumento de conhecimento sobre a frequência, tipologia e dimensões características dos mesmos, é especialmente importante, na medida em que permite definir com maior rigor eventuais condicionamentos ao uso de zonas de risco, melhor suportar tecnicamente tomadas decisão em relação à ocupação e possíveis cenários de intervenção, e ainda, validar e completar informação relativa à definição das faixas de risco definidas nos POOC. Ainda neste sentido é de primordial importância estabelecer programa de monitorização da orla costeira (em determinados troços já iniciado) ajustado a cada contexto geomorfológico e às necessidades locais de planeamento e gestão.