Gestão integrada de bacias hidrográficas A gestão integrada de bacias hidrográficas é prática comum a nível internacional e um requisito das diretivas comunitárias, que está na origem da criação das regiões hidrográficas, as quais incluem normalmente uma bacia principal e pequenas bacias junto à costa e aos estuários. A bacia drenante do Estuário do Tejo é formada essencialmente pela bacia do Rio Tejo, mas inclui pequenas bacias que drenam directamente para o estuário, que embora sendo pequenas contribuem com cargas de nutrientes com importância comparável à transportada pelo Rio Tejo e cargas de contaminação microbiológica fecal superiores às daquele. A Bacia do Rio Trancão é uma das maiores bacias da envolvente do estuário do Tejo, conhecida pelo elevado nível de poluição da zona terminal, normalmente atribuído às cargas poluentes geradas na própria bacia. A bacia do Trancão tem vindo a ser estudada em termos hidrológicos, de geração de nutrientes e de contaminação fecal, no âmbito do programa de monitorização implementado pela SIMTEJO à bacia hidrográfica. Os estudos mostram que a distribuição de chuva não é uniforme na bacia e que cerca de 15% da carga microbiológica na bacia é descarregada directamente na forma de poluição difusa (em pequenas descargas). Esta componente do projeto ENVITEJO tem como objetivo dar continuidade ao estudo promovido pela SIMTEJO, melhorando o modelo hidrológico através da inclusão de melhores dados de base da bacia e o modelo de qualidade da água através da inclusão de melhores dados de uso do solo e da inclusão da interacção com o estuário. A Figura 1 mostra a integração do modelo de bacia hidrográfica com o modelo do estuário do Tejo. A metodologia desenvolvida será posteriormente alargada a outras bacias hidrográficas localizadas na envolvente do estuário, com especial ênfase para (i) a contaminação microbiológica de modo a dar resposta à designação como zonas sensíveis no âmbito da aplicação da Diretiva do Tratamento das Águas Residuais Urbanas e para (ii) a deposição de matéria orgânica na embocadura de modo a avaliar os benefícios da remoção das descargas de material particulado de origem urbana para o estuário, que se deposita preferencialmente nas zonas de baixa velocidade ao longo das margens (conjuntamente com o material particulado terrígeno transportado pelos rios). Figura 1. Integração do modelo de bacia hidrográfica (Trancão) com o modelo do Estuário do Tejo.
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