O Estuário do Tejo é um dos maiores da Europa e um ecossistema de transição muito importante.
Pelo facto de estar envolvido por uma região de elevada densidade populacional (Grande Lisboa) e por abrigar um porto de grande relevância comercial (Porto de Lisboa), o estuário está sujeito a pressões significativas de origem antropogénica. Torna-se assim, fundamental criar conhecimento científico e instrumentos de gestão fiáveis e partilhados (Nobre, 2011) que permitam melhorar a qualidade da água do estuário e definir meios para manter essa qualidade.

A Diretiva Quadro da Água (Diretiva 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro de 2000) reforça a ideia de que a gestão da água deve ser considerada do ponto de vista do ecossistema e que devem ser estabelecidos sistemas monitorização e acompanhamento, capazes de, não apenas detetarem fenómenos pontuais onde parâmetros específicos excedem determinados valores estabelecidos, mas também de compreender os processos que determinam esses eventos e as suas tendências espaciais e temporais. É por isso fundamental compreender os processos físicos dominantes no estuário de forma a poder prever o comportamento dinâmico do sistema estuarino.
Com o objetivo de criar e desenvolver um sistema integrado de aquisição de dados, modelos e armazenamento de dados/resultados de suporte à gestão, monitorização e investigação surge o projeto ENVITEJO.
O projeto ENVITEJO encontra-se dividido nas componentes apresentadas no Quadro 1.
Quadro 1. Componentes do projeto ENVITEJO.
| Componente | Promotor(es) |
Arquitectura de Serviços de Dados Ambientais | ARH do Tejo, I.P. |
Reformulação e optimização do programa de monitorização ambiental | SIMTEJO/SIMARSUL |
Aquisição e exploração de bóias instrumentadas (dados em tempo real) | SIMTEJO/SIMARSUL |
Actualização e desenvolvimento de ferramentas de exploração do Modelo Operacional | SIMTEJO, S.A. |
Desenvolvimento de um modelo de simulação atmosférico | SIMTEJO, S.A. |
Estudo e modelação de fontes de contaminação microbiológica e nutrientes na Bacia do Trancão | SIMARSUL, S.A. |
Coordenação e divulgação do projeto | ARH do Tejo, I.P. |
O trabalho conjunto dos parceiros permitirá reduzir a componente logística que seria necessária caso o projeto fosse concretizado por cada uma das entidades de forma individual, e maximizar os resultados obtidos em consequência da abrangência da área de estudo.
Referâncias
NOBRE, A.M. “Scientific approaches to address challenges in coastal management”, Mar Ecol Prog Ser, 434, 2011, pp 279-289.