Desde meados do século XX que as indústrias químicas, de produção de explosivos, siderurgia, metalomecânicas, estaleiros navais, entre outras, têm desenvolvido no Concelho do Seixal a sua atividade As más práticas levaram a graves problemas ambientais com contaminações de solos e águas com os mais diversos tipos de poluentes. Numerosas captações de abastecimento público, industrial e agrícola, coexistem lado a lado com a atividade industrial.
A área onde se localizam os locais em estudo, SPEL, Poço do Talaminho e antigos areeiros de J. Caetano e Fernando Branco, correspondem a um pequeno setor do Sistema aquífero da Bacia do Tejo-Sado, Margem Esquerda, definindo-se por um sistema multi-aquífero complexo, constituído por aquíferos porosos, multicamada, em geral confinados ou semi-confinados para a profundidade e livre nas formações aflorantes.
Com base em medições efetuadas em poços e furos existentes na zona envolvente, pode assumir-se que a tendência regional do fluxo subterrâneo no aquífero livre é de SSW para NNE, no sentido do rio Tejo, enquanto que no aquífero inferior é predominantemente de S para N, também em direção ao rio Tejo.
A laboração das industrias referidas anteriormente, juntamente com a inexistência de práticas ambientais sustentadas, levaram a graves problemas ambientais com contaminações de solos e águas, com os mais diversos tipos de poluentes, desde os orgânicos (derivados dos explosivos e hidrocarbonetos) a sais de metais como mercúrio, níquel, crómio, ferro, manganês, alumínio e urânio. A infiltração destes poluentes no solo, com posterior contaminação do mesmo e das águas acarreta graves problemas para a saúde pública, devido, entre vários aspetos, às inúmeras captações para abastecimento público existentes na zona envolvente, e para a biodiversidade existente nestes locais.

Antiga lagoa contaminada na área dos areeiros da Socarbine, numa zona contígua à SPEL. Ao fundo, é possível verificar a série arenosa que constitui o Pliocénico.