No concelho do Seixal encontram-se vários passivos ambientais, resultantes do depósito de resíduos de hidrocarbonetos, possivelmente provenientes de estaleiros navais, e águas residuais, contaminadas com compostos que vão desde os orgânicos (derivados dos explosivos) a sais de metais como mercúrio, níquel, crómio, ferro, manganês, alumínio e urânio, em lagoas escavadas nas areias e/ou em areeiros abandonados, sem que possuam qualquer tipo de impermeabilização. Cita-se a título de exemplo os casos da antiga fábrica de explosivos da Sociedade Portuguesa de Explosivos (SPEL), o Poço do Talaminho e os antigos areeiros de J. Caetano e Fernando Branco.

Lagoa existente no antigo areeiro de J. Caetano
Esta prática levou à contaminação de solos e águas, numa primeira fase o aquífero superior e posteriormente pode vir a ameaçar o aquífero profundo. Este sistema aquífero é o maior da península ibérica, atualmente é o responsável pelo abastecimento público de água a todos os concelhos da península de Setúbal, designadamente Almada, Seixal, Sesimbra, Barreiro, Moita, Palmela, Setúbal, Montijo e Alcochete, num total de mais de um milhão de pessoas, e constitui ainda uma importante reserva estratégica de água para o país.
Face a esta situação, e uma vez que foram realizados vários trabalhos de investigação nos vários locais contaminados com resultados praticamente nulos, foi solicitada a colaboração de um especialista de renome internacional, o Professor Rafael Fernández Rubio, galardoado com o Prémio Rei Jaime I em Proteção Ambiental, Professor Catedrático e Professor Emérito da Universidade Politécnica de Madrid e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa. A equipa do professor Rafael Rubio possui uma longuíssima experiência neste tipo de avaliação, adquirida com trabalhos realizados em todo mundo, designadamente em Portugal, onde realiza há décadas variadíssimos trabalhos na área da recuperação ambiental de minas abandonadas.
Nos dias 13, 14 e 15 de abril do presente ano, o Professor Rafael Fernández Rubio deslocou-se a Portugal de modo a realizar um primeiro diagnostico e iniciar os trabalhos conducentes aos projetos de execução. Foi realizado um reconhecimento in situ da situação existente, promovidas reuniões de trabalho e de compilação de informações técnicas sobre os locais interessados.
Por último, no âmbito do Programa Operacional do Objetivo Cooperação Territorial do Espaço Sudoeste Europeu (SUDOE) 2007-2013, a ARH do Tejo, I.P., juntamente com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Câmara Municipal do Seixal, a Confederación Hidrográfica del Tajo e a Fundación IMDEA Agua, estas duas últimas entidades pertencentes a Espanha, elaboraram uma candidatura com o tema “Valorização do Território pela descontaminação de solos e águas – Bacia do Tejo (Seixal e Alcalá del Henares)” e acrónimo VALORTERR. Esta candidatura apresenta como quadro de referência, os graves passivos de contaminação que há décadas se vão acumulando e agravando nas regiões metropolitanas de Lisboa e Madrid. São estas as situações do Seixal (Portugal) e de Alcalá de Henares (Espanha).

Resíduos de hidrocarbonetos e de outras tipologias no interior do Poço do Talaminho